quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A triste realidade do boicote técnico no kartismo nacional

A triste realidade do boicote técnico no kartismo nacional
Publicado por Leandro Claro, 12/08/2010 às 04:12:55


O esporte de competição/automobilismo traz inúmeras vertentes obscuras e uma das que mais intriga é o boicote de equipe, preparadores e outros pilotos.

Quem nunca se sentiu boicotado, levante a mão! Conheço inúmeros casos de excelentes profissionais/pilotos que, durante as conversas nas "curvas de preparação vida", fazem desabafos impressionantes. Outro dia, um grande piloto de renome nacional contou que a marca na qual prestava serviços passou por uma crise de mercado e claro precisou promover alguns cortes.

Na época, o então gestor da marca reuniu as equipes atrás de sugestões para não só preservar ativos de outras áreas, como manter parte do grupo intacto, sem aquela antiga visão que piloto de equipe sempre representa custos.

Duas semanas depois, o piloto e kartista em atividade apresentou ao "chefe" suas ideias. Após um bom bate-papo, falou que não estavam boas para o que a empresa precisava. Dias depois, andando em uma tarde de treinos na Granja Viana, ouviu uma conversar entre o chefe de equipe e o seu preparador, que lhe davam os parabéns pelas brilhantes ideias e evoluções técnicas. Surpresa por ver que eram todas aquelas que ela havia sugerido, voltou desolado.

Assim como o exemplo acima, milhares de pessoas enfrentam no dia a dia situações semelhantes, o chefe ou preparador que se apropriam de seu trabalho/idéias para galgar posições, que usa de seu talento para continuar na vitrine, que nunca reconhece o que você faz ou evita colocá-lo em posição de destaque para que você não apareça mais do que ele.

O que fazer? Vale a pena comprar a briga e questionar o fato? Melhor, talvez, fazer de conta que nada acontece e ficar sempre à sombra dele? Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. De fato, não é uma situação fácil. Ser boicotado pode parecer algo normal, até o momento em que o fabricante precisa enxugar ou começar a cobrar resultados.




Por isso, antes de tudo, tente reverter a situação desfavorável. Faça seu chefe ou preparador ter confiança em você, mostre que você é um importante aliado e que sempre estará ali para ajudá-lo. Evite que ele se sinta ameaçado por você. Claro que você está de olho na contrapartida. Mas não esqueça que se ele se sentir seguro e achar que precisa de você, sempre vai dar um jeito de mantê-lo por perto.

Nunca se coloque em posição de confronto, muito menos em uma reunião ou briefing de prova, antes do treino ou até mesmo no auge de uma competição. Procure ser diplomático se quer ganhar espaço. Deixe claro que você não está ali para competir com ele. Não quero dizer que você deve se anular, mas saber lidar com a situação. Mostre que ele pode contar com você em qualquer situação, que você não vai roubar o lugar dele ou dispensá-lo. Desta maneira, ele se sentirá seguro e, provavelmente, também lhe dará credito em suas soluções técnicas.

Agora, se tudo isso foi feito e você continua se sentindo boicotado, a saída é arriscar. Tenha uma conversa madura, sem colocar-lo na parede. Faça-o enxergar o quanto você é importante para o desenvolvimento técnico, evolução do trabalho de pista e está ali para ajudá-lo.

Se nada disso funcionar, então está na hora de você buscar outra equipe onde terá chances de crescer como espera. Boa sorte!

OBS: não aplicamos fotos de kartistas brasileiros na matéria trabalhada para que não haja a representação ou vínculo ao fabricante ou piloto.

Por Leandro Claro, editor-chefe do Portal KartOnline.
Foto: Leandro Claro



Fonte
http://www.kartonline.com.br/artigos.php?exibe=1310-a-triste-realidade-do-boicote-tecnico-no-kartismo-nacional

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